LUGAR DE CRIANÇA
Restaurantes ótimos, baladas imperdíveis e gente solteira da melhor qualidade. Parece até que Buenos Aires não é lugar de criança. Mas, muito pelo contrário. Nunca conheci uma cidade tão amiga da criança. Descobri que argentinos podem torcer o nariz para qualquer pessoa mas poucas vezes vi algum garçom ou atendente não ser amigável diante de uma criança. Em alguns restaurantes, não faltam mimos nem brindes para os pequenos. Para encarar Buenos Aires pela primeira vez com uma criança, pode ser uma boa comprar o livro Buenos Aires Com Crianças (de Fernanda Paraguassu). Dicas preciosas. Muitas dicas. Já fui pelo menos três vezes e ainda não consegui realizar metade dos passeios sugeridos (e que me deixam com mais vontade de voltar mais uma vez). Pontuo abaixo algumas impressões úteis para quem vai para BA com um pequeno ou vários pequenos.
- Já encarei a cidade sozinha com o filhote. E a minha primeira dica é: se puder, não vá sozinha. Leve um/a ajudante, alguém que saiba cuidar do seu filho como você e que possa realmente dar suporte. Leve alguém com quem possa compartilhar a experiência da viagem. Não adianta levar uma babá com quem você não quer dividir sua intimidade. Mas, se precisar encarar a viagem sozinha com o pequeno, não se desespere, é possível! Vai sobreviver e se divertir com o exercício total e irrestrito dos cuidados com a cria.
- Respeite o ritmo da criança. Se apresentar cansaço (ou seja começar a chorar ou teimar na rua), mude o roteiro, volte para o hotel (se for o caso) e recomece no dia seguinte. O importante é que a viagem seja agradável para pequenos e grandes!
- Escolha um hotel bem localizado. Se o pequeno tem costume de subir em janelas ou é curioso, procure um hotel com proteção nas janelas ou que não tenha varanda. Também é possível solicitar um andar mais baixo.
- Para quem leva carrinho e vai pegar um táxi, os motoristas costumam deixar colocar o carrinho fechado no banco da frente.
- No metrô, precisa ter braço forte! Por onde passei, nem sempre as estações tinham escadas rolantes para subir ou descer.
- Quem vai trocar dinheiro no Banco de La Nación da Plaza de Mayo sofre um pouco! Sofre se for deficiente físico ou estiver com carrinhos de bebê. Não encontrei rampas de acesso. Vai ter que enfrentar alguns degraus. Por sorte, encontrei algumas pessoas amáveis que me ajudaram já que eu estava sozinha e o pequeno dormia no carrinho.
- Fui alertada para não levar carrinho à San Telmo. Faz falta (da primeira vez, não levei) mas vi algumas pessoas que carregavam a criança no colo e ainda empurravam o carrinho porque sacode muito naqueles paralelepípedos.
- Mas da última vez, levei. Menino dormindo e meus braços livres para ver com as mãos tudo que eu queria na Feira de San Telmo. Sacudiu, sacudiu, mas como ele dorme bem, não acordou nem por um minuto. Se o seu filho tem sono leve, vai ser no braço mesmo! E ainda tem que desviar das pessoas...muitas pessoas. Uma grande chance de aprender uma lição de direção perigosa de carrinhos de bebê!
- O Museo de Los Niños é o lugar onde todas as crianças precisam ir. Uma brinquedoteca gigante com três andares. Mas achei a entrada cara. E você tem que acompanhar seu filho. E vai pagar por isso. Não funciona como depósito de criança. O acompanhante entra e paga para vigiar a própria criança. Fica no Abasto Shopping (Avenida Corrientes 3247). Preços em agosto de 2012: terça a sexta, AR$55 criança/ AR$20 adulto; fim de semana e feriados, AR$60 criança/AR$20. Leve a máquina!!!! Dá para fazer um book da viagem nesse passeio!!!
- Na saída do Museo de Los Niños, está a Neverland. Se a mãe estiver exausta depois do Museo, fuja deste piso! É um parque de diversões dentro do shopping com roda-gigante.
- Há um quiosque em frente à Nerverland que vende aqueles CDs infantis personalizados com o nome da criança nas canções. Em janeiro/2012, custou AR$ 65.
- O clima é seu maior aliado e seu maior inimigo. Pesquise a previsão do tempo antes de marcar a viagem ou antes de sair do hotel. No verão, chove por pelo menos uma semana. A chuva acabou com nosso passeio ao Zoológico. Custo: AR$ 47 para adulto, passaporte mais completo. Crianças até 12 anos não pagam entrada.
- No Zoo, é premitido dar comida aos bichos previamente autorizados. Comida específica, comprada no interior do Zoo. Comprei o balde de comida que equivale a 3 saquinhos. Só para uma criança é desnecessário. Parece até que os animais já estão enjoados ou cheios dessa ração. Só os patos mesmo que não recusam. E tem que tomar cuidado para não ser atacada por vários deles.
- Próximo a Buenos Aires, há o Zoo de Luján, onde se pode tocar e interagir com tigres, leões, elefantes e dromedários. Só percebi a loucura que fiz depois que vi as fotos. A segurança das jaulas é duvidosa e não sei como aqueles animais ficam tão pacíficos com o rodízio de turistas. Ainda assim, foi uma experiência sem igual. Fotos lindas e adeus. Não brincarei com a sorte outra vez!
- Há uma grande loja na zona outlet da Calle Aguirre, com um café Havanna. Ótimo para comprar um alfajor e distrair a criança enquanto dá umas voltinhas por ali.
- La Dorita: restaurante ótimo. Familiar e com boa comida. Preço bom também. Valeu a dica do guia! Comemos o menu do almoço (entrada, prato, sobremesa e bebida). Servem bem. O menu "individual" dá para um adulto e uma criança. Local: Humbodlt e Costa Rica, em Palermo Hollywood.
- Não indico o hotel que fiquei (Hollywood Suite & Lofts 1) por um motivo: muitas janelas, todas sem grade. A banheira está encostada em uma janela grande de vidro. Há outra janela basculante em cima da cabeceira da cama. Dá medo! Atenção redobrada todo o tempo. A piscina no 21° andar também inspira cuidados. Achei a proteção baixa. Crianças são curiosas! Todo cuidado é pouco. Vantagens: hotel limpo, café da manhã sortido e profissionais educados. Se você não se impressiona com a falta de proteção nas janelas, vá com fé!
- Quem vai a Buenos Aires, acha que só vai para comer carne. Encontrei vários pontos vegetarianos. Até mesmo a praça de alimentação dos shoppings torna-se uma opção pra quem não quer fugir da dieta ou para quem é vegetariano.
- Para quem tem cisma em comer em lugares diferentes, o Starbucks pode ser uma ótima saída. Para as crianças, suco e pão de queijo para sentir um gostinho (parecido) com o Brasil. Para os adultos, cafés e frapés deliciosos. Tem até saladas prontas. Pode levar para o hotel se não for sair por algum motivo. Criança se cansa, é bom ter opções, neh?! A cidade também é bem servida de junkey food internacional: Mc Donalds, Burger King.
- Bus amarillo: muito bacana. Compramos o passaporte de 48h. Mas, de onde estávamos, tivemos que pegar táxi para depois pegar o bus. O melhor mesmo é procurar um hotel mais perto das paradas do bus. Economiza táxi!...rs. Não levei o carrinho porque sozinha é mais difícil. O bus tem espaço para carrinho. O pequeno dormiu no bus e aproveitei pra rodar mais um pouco e tirar fotos. Para quem não tem paciência ou não gosta de rodar muito, é melhor pegar um city tour de agência mesmo. O bus leva tempo. Já fui na Travelline da outra vez e gostei.
- Arrependimento de ficar na região de Palermo Hollywood. Acho que não compensa. Não se pode cruzar diretamente para o outro lado do bairro. Existe uma linha de trem que divide esta zona da cidade. Tem que dar uma volta maior pra tudo.
- Esqueci de levar os talheres para o pequeno. A maioria dos restaurantes não oferece um talher menor. E muitos garçons em Buenos Aires são pouco solícitos. Mas sempre pedi talher de sobremesa. Alguns dão, outros não.
- Lenços umedecidos: um companheiro. Serve pra tudo, mesmo quando a criança já está grandinha, neh?!
- Na Farmacity, sempre tem copos e mamadeiras. Inclusive NUK e Chicco. Quem esqueceu ou perdeu e precisa de outra mamadeira ou copos infantis, fica a dica. O preço está no mesmo patamar do Brasil. Já foi melhor mas a crise econômica na Argentina atingiu o preço dos produtos importados.
- Leite em pó infantil: se a criança toma NINHO, é melhor levar. Está caríssimo!!!! E é difícil encontrar o Ninho fases. O leite da SanCor substituiu bem, já que também é dividido por fases como o NINHO. Tem até aqueles leites prontos em caixinhas pequenas como o Mucilon prontinho. Também não encontrei Mucilon, só Neston. E repito: preços altos!
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